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Segunda, 30 de Março de 2015
 
Combate à violência ou autopromoção?
 
O nível das denúncias sobre o trote na Esalq, e a repercussão que o assuntou tomou na mídia, exige uma reflexão. Não há verdade justa que possa ser contada por apenas um dos lados; e infelizmente é o que temos visto em torno do tema. Generalizações marcam o tom das matérias.

Como ex-aluno, me sinto preocupado. Morei durante todo o período estudantil na república Jacarepaguá, a segunda mais antiga. Nunca presenciei, nem de longe, os acontecimentos que tem sido denunciado por um dos professores da instituição.

Se as acusações forem verídicas, é fato que as coisas perderam totalmente o sentido. O que antes era saudável teria tomado proporções inaceitáveis. Se assim tiver acontecido, a solução não é apenas a punição de jovens envolvidos nestas barbaridades; isso não bastará.

Será preciso estudar e entender o que de tão grave teria acontecido nas últimas duas décadas para que a sociedade produzisse uma geração de delinquentes. O que teria causado tamanho desvio na conduta por parte dos jovens que chegam à universidade? Superproteção, ausência de limites, debates cada vez mais ideologizados e desprovidos de bom senso, produção cultural escassa em valores sólidos e ricas em maus exemplos poderiam ser apontados como as causas.

No entanto, me sobram razões para duvidar que o comportamento dos estudantes tenha atingindo o nível apresentado nas denúncias.

Em nossa república, que completa 60 anos em 2015, nós mantemos contato com os atuais moradores. Nos reunimos duas vezes por ano para confraternizações, uma em fevereiro e outra em agosto.

É fato que não estou mais presente na rotina e nem tenho acesso a informações detalhadas do que acontece no dia a dia; sabemos que eles estão lá e quando nos encontramos as conversas se resumem às histórias, à profissão, conselhos, estágios e boas risadas.

No entanto, mesmo sem condições de defendê-los objetivamente, eu não consigo enxergar aquela garotada como os criminosos que estão sendo tachados. Pela natureza de meu trabalho, também tenho contato com diversos outros ex-alunos recém formados de outras repúblicas. Tão pouco os vejo daquela forma.

Tenham saído da república em que morei ou de outras, tratam-se de excelentes profissionais, dedicados, deixando a Esalq já com alguma bagagem, pois uma das tradições de lá é que quase a totalidade dos alunos frequenta estágios desde os primeiros anos. Todos saem exacerbando os sinais daquela vontade de vencer desafios, com brilho nos olhos e muita coragem. Típico de uma juventude bem preparada e motivada.

Mesmo assim, de uma hora pra outra surge um professor denunciando absurdos horrorosos e inimagináveis, que nunca poderiam acontecer dentro de um ambiente civilizado. Telejornais, rádios, blogs, jornais e revistas “on line” passaram a difundir exaustivamente essas denúncias sem nem checar a veracidade.

Os jovens envolvidos, e suas repúblicas, já foram condenados publicamente antes mesmo que as investigações sérias se iniciassem. Será que pensaram na hipótese da inocência? Depois de tudo, quem irá lavar os nomes dos inocentes, e de suas famílias humilhadas, que agora jogam na lama?

O assunto me fez relembrar da existência do professor Antônio Almeida, o protagonista central das reportagens. Quem conhece os ex-alunos da Esalq sabe da paixão e da admiração de todos pela instituição. Essa admiração se estende aos professores, grandes mestres que nos ensinaram, que nos cobraram, que nos exigiram noites e noites de estudo enquanto os flamboyants floresciam no campus.

No entanto, Almeida passa batido; quase ninguém se lembra dele porque nunca foi associado a nenhuma disciplina ou ensinamentos que pudéssemos aplicar profissionalmente. Não acrescentou nada, mesmo para os alunos que dedicaram a maior parte do curso no departamento que ele pertence.

Eu me lembrei dele por causa de um livro que escreveu há cerca de 15 anos. Na época, alguém indignado me deu um exemplar, pois o livro tratava da vida em república no nosso tempo. As denúncias eram praticamente as mesmas, com generalizações e suposições da existência de uma sociedade secreta com generais, capitães, sargentos, soldados rasos. Coisa típica de maluco relatando abduções. O livro é altamente preconceituoso, com passagens descaradamente generalistas, ofensivas e caluniosas; um contrassenso para quem navega na sociologia.

Na realidade imaginada pelo professor, a alma das repúblicas é o trote, a vontade de torturar e se impor aos demais. No entanto, o que as repúblicas prezam mesmo é a amizade, o companheirismo, a vontade de ajudar, de estar próximo. Os alunos se tornam uma família.

O livro também associava as repúblicas às drogas; quando a realidade era justamente oposta. A maioria delas proibia e, pelo que sei, ainda proíbem o consumo de drogas ilícitas. É o caso da Jacarepaguá.

O autor também traçava um perfil imaginário do morador de repúblicas, estendendo suas acusações às famílias dos alunos. Teoricamente todos pertenciam a uma casta dominadora que havia defendido a ditatura militar. Essa afirmação é tão absurda, e tão longe da realidade por inúmeros exemplos conhecidos, que ficou claro que se existe um assunto no qual o professor Antônio Almeida consegue atingir a incrível proeza de ignorar por completo, esse assunto é a realidade em torno das repúblicas e seus moradores.

Como um pesquisador pode passar anos produzindo “estudos” e livros sobre uma realidade que ele nunca se propôs a conhecer com a devida imparcialidade que a boa ciência exige? Se a produção deste senhor é classificada como ciência, estão explicados os motivos que levaram a USP (Universidade de São Paulo) à crise que chegou.

Embora hoje eu não tenha condições de avaliar o que realmente esteja acontecendo no campus, da minha época eu posso falar objetivamente, inclusive em juízo se for necessário: Almeida mentiu, caluniou, generalizou, ofendeu, inventou histórias que não aconteceram. Aquele seu livro de anos atrás é um compilado de mentiras, nada mais. E pelo que consta nas reportagens, todo o resto da sua produção é apenas mais do mesmo, com “causos” requentados.

Se eu não conhecesse o assunto, e acompanhasse as notícias como leigo, eu já daria o benefício da dúvida aos atuais alunos. No entanto, conhecendo o histórico, todas as minhas dúvidas se direcionam no sentido de questionar a idoneidade deste professor que parece mais preocupado com a exposição da própria imagem, do que com a verdade dos fatos. Se mentiu antes, por que não mentiria agora?

Há, inclusive, o risco de estar havendo motivação política em torno do tema. Em audiência na câmara municipal de Piracicaba, a ex-deputada estadual pelo PCdoB, Sarah Munhoz, que ocupava a vice-presidência da CPI sobre o Trote, disse as seguintes palavras: “infelizmente as universidades públicas estão tomadas pelo que chamo de ‘elite paulistana’ que, se não for freada, manterá estas práticas sem constrangimento”.

A fala da “excelência” dispensa maiores comentários pelo próprio cenário político atual.

O advogado que presta assessoria à CPI, presidida pelo deputado petista Diogo Adriano, foi além comparando as repúblicas aos nazistas torturando e massacrando judeus.

É extremamente preocupante o risco real de que jovens inocentes, exalando a energia típica da idade, acabem se transformando em bodes expiatórios para que um professor atinja os objetivos de sua agenda promocional. Ou que políticos sem propostas, e acuados pela fortíssima pressão da opinião pública, desviem o foco buscando se capitalizar eleitoralmente ao abraçar uma causa nobre queimando algumas bruxas imaginárias.

Esse debate, portanto, está sendo conduzido de forma desproporcional. De um lado, um homem constrói uma pauta há cerca de quinze anos. Do outro, estudantes que tinham menos de 5 anos de idade enquanto esse professor já preparava os argumentos e as denúncias de que eles seriam acusados anos depois, quando entrassem na universidade.

De um lado, uma pessoa articulada, com as ideias ordenadas, posando de paladino para os injustiçados. Do outro, estudantes deslumbrados com os primeiros anos longe de casa, vivendo numa república, aprendendo e conhecendo coisas novas, curtindo a juventude.

Em qualquer entrevista que se faça com os estudantes, é normal que falem inocentemente de maneira humorada sobre o dia a dia. Conquistados pela simpatia do entrevistador (e um entrevistador é sempre simpático antes da entrevista), qualquer um poderá se expor inconsequentemente, de forma a se comprometer e cair direto numa armadilha covardemente preparada.

No entanto, olhando pela ótica desses estudantes, eles estarão apenas se defendendo de calúnias, dando de ombros para os caluniadores, assim como sempre se deve proceder quando um louco te provoca. Duvido que tenham condições de se enxergarem peças num tabuleiro montado por um indivíduo que parece não medir esforços para se promover. O nível das denúncias é gravíssimo. A mídia, no mínimo, precisa analisar com cautela para evitar o risco de que seja usada em prol de uma agenda inescrupulosa.

Reforço que, se forem culpados, é preciso punição exemplar. Mas se forem inocentes, o que fazer para reparar o massacre público a que estão sendo expostos?

Em uma das matérias até o nome do professor Marcus Folegatti, ex-prefeito do campus, foi colocado como se ele fosse conivente com a suposta violência na época em que administrou o campus. Essa colocação é espantosa, pois o professor Folegatti deve ter sido o prefeito que mais combateu abertamente o trote. Inclusive, caiu no mesmo erro de confundir as repúblicas com sinônimo de trotes, atacando-as sem critério.

Também assisti matérias exigindo que o atual diretor condene os alunos que supostamente estariam envolvidos nesses abusos; prova de que os estudantes já foram condenados antes da investigação e da condução de um processo conforme previsto em lei.

Luiz Gustavo Nussio, atual diretor, está agindo corretamente propondo punição rigorosa a quem aplicar os trotes, sem se deixar pressionar. Cedendo à pressão, o diretor correria o risco de conduzir um sacrifício público de bodes expiatórios. Com imensa sabedoria e muita objetividade, não está cedendo às arapucas orquestradas pela turma do holofote. Está agindo conforme se espera de um mestre, de um cientista.

As reportagens apresentam um Almeida com ar de intelectualidade quase sobrenatural, explicando que defender a instituição é punir os trotistas. Provavelmente, em todos os seus estudos sociais, acabou se esquecendo de ler que numa democracia não há condenação sem investigação, julgamento e esclarecimento dos fatos. “In dubio pro reo” já era ensinado pelos romanos há mais de dois milênios.

Almeida precisa entender que não é ele quem decide quem deve ser punido ou não. Levar esse tema de forma tão leviana e irresponsável para a televisão é sim um ato contra a imagem de instituição. Só tolos caem na sua argumentação demagógica. Tolos e interessados.

O mesmo Almeida ainda condenou e pediu a proibição do “Manual do Bixo”, uma publicação divertida, bem humorada onde os alunos sempre escreveram enormes barbaridades simplesmente para “zoar” os mais novos e si próprios.

É sério mesmo que um estudante, depois de passar na seleção mais rigorosa do país, se ofenderia porque um livretinho feito por outros estudantes o chama de bicho burro?

Tem coisas mais ofensivas lá no manual deste ano? Sei lá, pode ter, não vi. Mas o fato é que um iluminado propõe a proibição de um manual na mesma época em que se discute o direito do Charlie Hebdo publicar caricaturas do profeta Maomé em flagrantes sexuais. O que é mais ofensivo? O que é mais mau gosto? O que tem mais impacto? Francamente.

O próprio Almeida não escreveu um livro associando repúblicas às drogas? Eu, que nunca nem cheguei perto de um pito de maconha, me senti extremamente ofendido. E aí?

Por fim, não vou negar que existam ocorrências que passam dos limites. Mesmo sendo exceções, eu nunca vi acontecer nos níveis que estão sendo denunciados na mídia. E mesmo assim, eram imediatamente coibidos pelos próprios alunos. Afinal, como vai se construir uma história de 60 anos humilhando, machucando ou ofendendo o próximo? A Copacabana tem 93 anos. Diversas outras repúblicas estão com 55, 50, 40 ou 30 anos. Como se explica essa legião de sadomasoquistas?

Ah sim, a sociedade secreta sugerida pelo Almeida poderia explicar...! Bom, eu ainda acho os casos de abdução mais plausíveis.

A maior parte dos trotes sempre foi o susto, a pregação de peças, a armadilha, a zoeira, canaleta d´água na mesa do almoço, o horário da excursão para o Monte Morilonita, a caça ao tirisco. Todos riam, ninguém se machucava. São coisas normais da juventude, num período da vida que você e mais cinco ou dez outros de sua idade moram, pela primeira vez, fora de casa.

O tão comentado trote da Esalq sempre foi mais parecido com programas que renderam muito dinheiro para as principais redes de TV do mundo: as pegadinhas. O trote era muito menos expositivo e humilhante do que programas como Casseta e Planeta, TV Pirata, Pânico ou CQC. Ou deputados e artistas podem ser vítimas de bulling?

Perdi a conta de quantas vezes alunos acreditavam que uma situação teatral, inclusive com participação de outros ingressantes, fosse um flagrante de violência inaceitável. E no final sempre era zoeira, uma peça para dar sustos. Para alguns, o mais engraçado ainda era não desmentir.

Se isso é violência, se é crime, se é inaceitável, por favor, avisem logo um fabricante de chocolates que acabou de posicionar sua nova campanha de marketing em quem conseguir zoar os amigos da forma mais criativa.

É mentira que as pessoas eram coagidas a fazer o que os mais velhos queriam, a força se fosse preciso. Um não sempre significou não, e era respeitado. Também é mentira que quem não aceitasse essas brincadeiras seria excluído. A maioria sempre disse não a essas brincadeiras e mesmo assim as amizades floresceram e continuam florescendo. A amizade é a nossa tradição, a bandeira que defendemos. A amizade é importante, não o trote.

Almeida procura a evidência de violência nas repúblicas há pelo menos 15 anos e parece nunca ter achado algo de concreto. Para o “cientista”, a possibilidade de que essa violência seja mera especulação não existe. Faz sentido que ele pense assim, pois a realidade prova a inutilidade e o desperdício do trabalho de toda uma vida acadêmica; se é que se pode chamar de trabalho a difusão de calúnia embalada como ciência.

Como qualquer outra pessoa de bom senso, sou contra o trote humilhante e contra violência a terceiros, seja ela moral ou física. Mas sou extremamente favorável à riqueza possibilitada por um ambiente alegre, bem humorado, com a boa e velha zoeira entre amigos, pregando as diversas peças entre si.

Dou graças a Deus por ter vivido anos maravilhosos e fazer grandes amigos em todas as gerações de Jacarepaguanos e esalqueanos com quem convivi. Até hoje continuo somando novos amigos, entre os mais velhos e os mais novos.

Em uma das reportagens, Almeida também sugere que as repúblicas e seus estudantes desonram o dinheiro que a sociedade investiu para formá-los. É um ponto de vista. Quem sabe não vale uma pesquisa para confirmar essa suposição? Sugiro que comece analisando a trajetória profissional e a criação de valor a partir da produção intelectual dos ex-moradores de repúblicas nas últimas décadas. Não será tão difícil.

Tenho certeza que o professor se surpreenderá com o retorno de capital que estes ex-alunos trouxeram para a sociedade.

Já o retorno da produção intelectual do Almeida, cujos são pagos com elevados recursos públicos... Bom, esse é outro caso a pesquisar; mas é provável que o resultado não surpreenda muito.

Maurício Palma Nogueira,
Engenheiro agrônomo, formado na turma de 1997 da Escola Superior “Luiz de Queiroz”, sócio e Coordenador da Divisão Pecuária da Agroconsult.
 
Categoria: SOCIEDADE TAGs: ESALQ,,trote,,repúblicas,,violência
 
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Quarta, 18 de Março de 2015
 
O fim da grande mentira
 
A capacidade do PT e seus seguidores produzir e replicar deturpações da verdade é impressionante. Seguidores diplomados vivem quase um estado de hipnose diante das argumentações totalmente fora de propósito dos petistas. Esqueceram-se que foram treinados para pensar, liderar e não para seguir cegamente.

Confirmados os números de 2,2 milhões (polícias militares) a 2,9 milhões (organizadores), a mídia a soldo, paga para defender o grande patrocinador, saiu em busca de minúcias que pudessem questionar ou minimizar as inequívocas vozes das ruas.

Juca Kfouri iniciou um artigo com os dizeres “esqueça que vestir a camisa da CBF e ser contra a corrupção é uma contradição em si mesma.” Bastou para que os seguidores saíssem apontando a incoerência de quem usa camisa da seleção brasileira em um protesto contra a corrupção.

No entanto, nunca se teve notícias de uma pessoa que entrasse em uma loja disposta a pagar pela camisa da CBF. As pessoas querem e compram a camisa da seleção brasileira. E, legalmente, quem detém o direito de vender camisas da seleção brasileira é a CBF. Portanto, quem decide vestir a camisa da seleção do país, de torcer pelo Brasil, e optam por comprá-la pelas vias legais, precisa necessariamente comprar a que é vendida pela CBF.

A opção à camisa da CBF é a pirataria. Será tão difícil compreender este mero detalhe? É um ultraje que um raciocínio destes venha de alguém do gabarito do senhor Juca Kfouri.

Os petistas confundem as coisas. Acreditam que a seleção seja da CBF, assim como as instituições e o patrimônio público seriam do PT. Por isso nem coram ao relativizar a corrupção; para eles não estão subtraindo ou assaltando o patrimônio de todos. Eles se acham donos. Na concepção deles, a Petrobrás é um ativo do partido vencedor, a ser espoliado entre os companheiros.

Me lembro de um professor petista anos atrás, quando o FHC ainda era presidente, discursando que não pagava impostos porque o país era governado pelo PSDB. Esse é o tipo de pessoa que defende valores indefensáveis. Os ingênuos e os de maus de caráter, iguais a ele, vão na onda.

Dizem insistentemente que não havia negros nos protestos. Esse raciocínio da exclusividade branca nas manifestações esconde uma grave demonstração de insensibilidade e preconceito contra os negros. Não é preciso muito esforço intelectual para perceber o quão segregacionista é essa tese.

Dentre os negros, que se juntam aos cerca de 90% que não aprovam o governo da presidente Dilma, alguns, mais bem humorados, levaram na brincadeira e usaram a indignação para ridicularizar quem disse que não haveria negros. Um grupo apareceu na manifestação com um cartaz dizendo que eram representantes da elite branca. Outros, mais tímidos, marcharam discretamente, enquanto inúmeros devem ter evitado ir às manifestações por receio do constrangimento a que foram expostos anteriormente.

O objetivo do PT era esse, enfraquecer o movimento constrangendo os mais pobres e os negros com a tese de que ali não era o lugar deles. É chocante a quantidade de gente que endossou essa mais alta expressão de preconceito, racismo e desqualificação da capacidade crítica dos mais humildes. Muitos nem se deram conta que defendiam uma tese odiosa, ao mesmo tempo que buscavam posar nas redes sociais como cidadãos de elevada consciência social. É o custo de seguir sem questionar.

Foi essa a estratégia também usada pelo PT para meter medo em quem planejava ir à manifestação. Segundo eles haveria violência, risco de revolução, brigas, tumultuo, etc. Mentira!!

Revoltado com essa mentira, e confiante no nível com que se daria a manifestação, resolvi levar a minha filha de dois anos para as ruas. Inicialmente eu não iria levá-la para preservá-la do desconforto.

Chegando à manifestação, testemunhei que havia diversas famílias com crianças, de todas as cores e todas as classes sociais. Ao dizer isso ontem, um pelego me perguntou se eu havia fotografado. Não! Não fotografei porque não considero anormal estar entre negros e pobres nos lugares que frequento. Diferente dos hipócritas, eu não faço essa distinção e nem tenho coragem de constrangê-los fotografando um a um. Que idiotice.

Chegando em casa, acompanhando a cobertura da manifestação, vi que havia crianças e família em todas as cidades onde foram registradas as manifestações.

Ainda nessa linha preconceituosa, Paulo Henrique Amorim produziu um dos vídeos mais desprezíveis que eu já tive o desgosto de assistir. Chamou todos os manifestantes de golpistas. A atitude é uma mácula irrecuperável na imagem de um jornalista que testemunhou as diretas já e os caras pintada, que acabaram por levar o Collor à renúncia antes do Impeachment.

Os que estão atacando a manifestação adotam um conceito deturpado de democracia. Para eles, ela só é válida desde que suas posições prevaleçam. Posições contrárias são consideradas golpistas, sempre. A palavra democracia só é empregada para maquiar o autoritarismo e a hegemonia que procuram.

Em artigo para o jornal A Folha de São Paulo, Vladimir Safatle seguiu a mesma linha da agressividade arrogante, típica dos que se julgam superiores aos demais. Com uma dose de ironia fora do comum até para os padrões de seus pares, insinuou que o público que esteve nas ruas no domingo esteve alienado a tudo desde a marcha da família em 1964. Enumerando alguns poucos exemplos de pessoas que saíram às ruas com ofensas ou cartazes pedindo intervenção militar, esqueceu-se que esse mesmo público esteve também presente em 1984 e em 1992.

Em atitude típica de quem assume a posição de dono das sombras projetadas na caverna de Platão, também incorreu na soberba de querer pautar o que os manifestantes deveriam ter pedido. Convenientemente evitou tecer maiores comparações ou comentários à legitimidade das manifestações a favor das Diretas Já e Fora Collor. A postura do articulista é totalmente inadequada para um professor de filosofia da Universidade de São Paulo.

Por falar em manifestações anteriores, dizem que os 2,2 milhões de pessoas que foram às ruas já representa a maior manifestação da história do Brasil.

Será mesmo a maior? Vamos fazer um cálculo mais honesto, mantendo o número da polícia militar, instituição que reúne as melhores condições para estimar o público.

Usando o mesmo raciocínio aplicado para deflacionar os preços, é possível calcular a extensão de ambas as manifestações anteriores, caso ocorressem na população de 2015 e com a mesma intensidade. Em outras palavras, quantos teriam ido às ruas caso as manifestações fossem hoje e reunissem a mesma adesão?

Falam de 400 mil a um milhão de pessoas nas Diretas Já, embora o número mais aceito seja de 400 mil pessoas. Pela atualização, o número de presentes seria de 620 mil a 1,5 milhão de pessoas nas ruas, caso a população fosse a de 2015.

No caso da manifestação que pedia o impeachment do Collor, estima-se números de 70 mil a 650 mil pessoas na rua. Atualizando, hoje as manifestações teriam reunido entre 93 mil e 865 mil pessoas.

Ambas as manifestações contaram com a presença e liderança do PT, especialmente a que levou à renúncia o ex-presidente Collor, agora um aliado do partido. Para eles, portanto, são legítimas.

Os 2,2 milhões de pessoas superam a soma das estimativas mais altas, e atualizadas, do que são considerados os dois maiores exemplos de pressão popular na história recente da democracia. E os iluminados ainda insistem em questionar a legitimidade?

Querem teimar que o contraditório número do Datafolha seja o correto? Tudo bem, mas tampouco é possível se satisfazer com essa enganação, pois o total que foi às ruas no 15 de março ainda seria proporcional ao número mais alto que foram às ruas para pedir pelas Diretas Já, corrigindo para a população de hoje. Como o número mais aceito é o das 400 mil pessoas, menos da metade da estimativa superior, a manifestação de 15 de março é, sem dúvida, e incontestavelmente a mais expressiva da história democrática do país. Não há o que discutir.

Para os cálculos foram consideradas as populações de 130 milhões, 151,5 milhões e 201,6 milhões para os anos de 1984, 1992 e 2015, respectivamente.

No caso da incoerência entre os dados, não custa lembrar que o Datafolha rifou a sua credibilidade. Mesmo diante da incrível diferença entre a densidade, ocupação espacial e quilometragem ocupada na avenida Paulista e adjacências, o instituto teve a insensatez de marcar 210 mil manifestantes no domingo, contra os 40 mil que estimou na sexta-feira. Não é preciso nem comparar os números do instituto com os da polícia. Basta comparar os dados do próprio instituto, que também se contradiz na estimativa de público presente no último réveillon e na parada gay de São Paulo.
Se discordam da pecha de desonestos, é imprescindível que corrijam os dados publicamente e revisem a metodologia.

A confiabilidade da metodologia e as contradições presentes nos próprios dados do Datafolha reforçam a confiabilidade da estimativa da Polícia Militar, na qual será baseado o raciocínio seguinte.

Na segunda-feira circulou uma análise do perfil dos manifestantes em Porto Alegre, realizada pelos institutos Amostra e Índex. Segundo os dados, apenas 5% dos manifestantes estavam na faixa de renda entre um e dois salários mínimos. Outros 22,7% recebiam de dois até cinco salários mínimos.

Não procurei saber se fizeram o mesmo estudo em outras capitais. O que me interessa é o dado que foi usado para reforçar a argumentação de que a manifestação é coisa da elite branca, outra informação replicada exaustivamente pelos reacionários.

Porém, se os 5% forem extrapolados para todas as regiões do Brasil, a quantidade estimada de pessoas com renda inferior a dois salários mínimos presente na manifestação será de 110 mil. Esse número é mais do que o dobro do total que foi registrado na marcha pró governo convocada para sexta-feira anterior, dia 13. Foram 54 mil pessoas no total. O dobro de pessoas de baixa renda, portanto, marcharam contra o governo.

Mas os dados do Rio Grande do Sul poderiam ser extrapolados para as demais regiões? A resposta é não. Com exceção de Santa Catarina, as proporções dos mais pobres tendem a ser maiores nas demais regiões, piorando ainda mais o balanço para os petistas e seguidores. Era esperado que os defensores do governo se abraçariam aos dados que mais confirmam suas teses; não dá para contar com a honestidade intelectual por parte dos chapas branca.

A análise também levou em consideração a cor da pele. Em Porto Alegre, uma cidade com maior proporção de brancos, contou 9,9% de negros e 2,9% de pardos presentes na manifestação. Mais uma vez, aplicando o mesmo raciocínio e extrapolando os dados para todo o país, estaríamos falando de 217,8 mil negros e 63,8 mil pardos.

A manifestação contra a Dilma Rousseff e contra o PT teria reunido, no mínimo, o dobro de gente de baixa renda, e quatro vezes e meia mais negros do que todo o volume de manifestantes da sexta-feira. Digo no mínimo porque a quantidade de negros e pessoas de baixa renda nas demais regiões serão bem maiores, caso a análise seja replicada.

Abrindo um pequeno parêntese, é importante ressaltar que a marcha pró governo foi uma fraude. Misturaram diversas iniciativas, incluindo greves de algumas classes, com a presença de manifestantes contratados motivados pela oferta de dinheiro e sanduíche. Nada que cause espanto, depois do ex-presidente Lula ter afirmado em assembleia que os manifestantes não querem mais participar sem receber algo em troca. Professores em greve, por exemplo, chegaram a vaiar quando o líder falou em favor da Dilma Rousseff no microfone. Portanto, a marcha de sexta-feira foi um engodo, uma tentativa fracassada de demonstrar uma força inexistente. Fecha parêntese.

Os defensores do status quo estão tão habituados a agir como papagaios, que saem por aí repetindo dados sem nem antes analisá-los. Os próprios dados que divulgam acabam por mostrar as contradições do que defendem. Não seria falta de raciocínio? O vídeo todo do Paulo Henrique Amorim é baseado nessa tese, o que prova a superficialidade que caracteriza a atuação do jornalista. Não é uma boa fonte de informação.

A quantidade das pessoas de baixa renda, ainda assim, representa pequena parcela dentre os manifestantes em razão as próprias condições em si. Para eles, a dificuldade de deslocamento e o custeio é maior, diante do orçamento disponível. O sacrifício para desistir do merecido descanso também é proporcionalmente mais significativo, especialmente quando se considera o transporte caótico e as distâncias a serem percorridas nas grandes cidades.

Vale lembrar que as condições dos mais pobres pioraram ainda mais em 2015, justamente pelo aumento do custo de vida. Em outubro, o risco de que essa piora na qualidade de vida aconteceria era considerado intriga, terrorismo e golpismo da oposição.

A popularidade da presidente é prova inconteste da insatisfação geral da população.

E por que não foram registradas maiores quantidades de negros nas manifestações? Ora, porque infelizmente representam a maior parcela da população de baixa renda, prova inequívoca de que as políticas demagógicas dos últimos 12 anos não alteraram em nada a triste realidade do Brasil. E o PT, discursando mais que bêbado de boteco, ainda insiste em culpar os tucanos que governaram por apenas 8 anos entre 1994 e 2002, numa condição conjuntural muito mais adversa do que os anos petistas.

Inconformados e mais desesperados ainda diante do estrondoso sucesso da manifestação, num ápice de vigarice intelectual, passaram a comparar a quantidade de gente nas ruas com o número de eleitores da Dilma Rousseff no último pleito; tentativa torpe de defender a estúpida tese do terceiro turno.

Quanta falácia!! Como tem gente que despreza retumbantemente o próprio cérebro.

Além de negligenciar as duas grandes manifestações populares que mudaram a feição do Brasil nos últimos anos, ignoram a natureza totalmente diferente de uma eleição em relação à uma manifestação. A burrice não pode explicar toda essa falta de raciocínio; a má fé está presente.

Mas vamos lá, bravos iluminados declaradores de que conhecem melhor a história. O comparativo a ser feito com as eleições não é o total de pessoas que foram às ruas se manifestar no domingo, mas sim os índices de aprovação do governo das últimas pesquisas, ao redor dos 10%!!

Criticam também a presença de pessoas carregando faixas em favor da intervenção militar. Apesar de raríssimas, sempre são destacadas pela polêmica que causam.

Em Florianópolis, por exemplo, havia duas faixas num total de 30 mil pessoas. É fundamental ressaltar que a intervenção militar, ou a deposição arbitrária de um presidente pela força, é sim anticonstitucional. Ninguém em sã consciência questiona.

No entanto, é a mesma constituição que defende o direito das pessoas pedirem também por intervenção, por mais absurda que julguemos essa solicitação.

Há quem levante bandeiras em defesa de drogas. Há quem as levante em defesa de ditaduras sanguinárias e opressoras em outros países. E há quem faça pior. Como se não bastasse levantar bandeiras contra o direito à propriedade, agem invadindo-as e depredando-as; não poupam nem centros de pesquisa.

Portanto, que hipocrisia é essa de condenar aqueles que solicitam, democraticamente, a intervenção militar? Ainda bem que estejam apenas levantando cartazes, ao invés de se reunirem em milícias para tentar impor pela força o que desejam, assim como fazem aqueles que serviram como instrumento de ameaça há poucos dias.

Mais vigarice ainda é associar a presença da mão norte-americana nos protestos, seja através da CIA ou de entidades secretas. A ironia dessa tese está na natureza idêntica das justificativas que permitiram a Nicolás Maduro aumentar o seu poder autoritário na Venezuela.

Com a desculpa de combater um golpe, e de preparar o país para uma imaginária invasão norte americana, a Venezuela passou oficialmente a funcionar como uma ditadura, com a supressão dos poderes legislativo e judiciário. O ditador agora governa por decreto. No domingo não faltaram faixas dizendo que o Brasil não era a Venezuela. Até venezuelanos aproveitaram o bonde para manifestar contra o governo de seu país, de onde precisaram fugir. Se fizerem isso por lá, com sorte, vão para a cadeia.

Portanto, filósofos articulistas pagos com os impostos dos paulistas, dobrem a língua antes de ridicularizar aqueles que consideram reais os riscos do Brasil se tornar uma Venezuela. A tese golpista é a mesma.

Dá para encher páginas e páginas descrevendo falácias e barcas furadas que as pessoas acabaram abraçando seguindo cegamente líderes despidos de escrúpulos. Desde difundir notícias mentirosas sobre hostilizações e espancamentos, até replicarem a foto de um imbecil que na sexta-feira 13 resolveu sair às ruas ridicularizando o nobre trabalho de quem lava privadas.

E a liderança que seguem não conhece limites. As falas do ministro Rossetto e da presidente Dilma Rousseff são assustadoras, embora previsíveis.

Insistem na tese de que há alguém se manifestando a favor do governo. Não há. Com exceção dos ingênuos cada vez mais envergonhados, e os pagos pelo governo e pelo PT nas redes sociais, praticamente não há mais quem se exponha para defendê-los.

Insistem na tese da reforma política. Mas querem a reforma através da agenda deles, que lesará ainda mais a democracia lá na frente. A tese da reforma petista é que, com o fim das doações legais de empresas para campanhas, a corrupção irá reduzir.

Alguém, saudável mentalmente, acredita que as doações ilegais por debaixo dos panos se reduziriam? Pasmem, mas os petistas propõem combater a corrupção com um modelo que beneficiará os corruptos ainda mais. E querem fazer isso justamente quando praticamente toda a cúpula do partido é investigada, ou já foi condenada, por corrupção. É subestimar demais a inteligência do brasileiro.

Seguindo os passos do ditador Venezuelano, continuaram insistindo no emprego da palavra golpismo, associando as manifestações com uma tentativa de terceiro turno; também não é preciso muito desempenho encefálico para concluir que esse raciocínio visa segregar os brasileiros que legitimamente estão insatisfeitos.

Quem não votou na Dilma Rousseff aceitou, embora frustrado, os resultados das eleições. As manifestações começaram a ganhar força na virada do ano, durante o apagar das luzes do primeiro mandato, quando o governo dava claros e inequívocos sinais de que aquele país maravilhoso que intentaram era uma fábula, criada para ludibriar eleitores. A reação da população não é golpismo; é revolta diante do maior estelionato eleitoral já aplicado no Brasil.

Os críticos diziam que aquele modelo de campanha eleitoral não era saudável, que criaria um problema social. Mas o PT, fiel à sua arrogância e certo de que a população brasileira é apática, insistiu num caminho perigoso, que segregaria a população. Conseguiram. Segregaram o povo brasileiro, mas não do jeito que queriam. De um lado ficaram aqueles que resolveram dar um basta à corrupção, ao autoritarismo, à demagogia, à incompetência e à hipocrisia. Do outro ficaram os alienados, os ingênuos, os pelegos.

Os reacionários insistem em dizer que há disseminação de ódio por parte dos insatisfeitos. Outra mentira que só eles mesmos concordam. Está muito claro de que lado esse ódio foi disseminado e declarado.

Realmente semearam ventos. E ao verem as primeiras nuvens da tempestade se formando, acovardaram-se pedindo paz e diálogo, usando a democracia como desculpa para frearem o tom das críticas. Os manifestantes mantiveram a paz, não por seguir o exemplo dos que deveriam liderar a sociedade, mas sim por seguirem a própria consciência.

A sociedade acordou. Não aceita mais ver o mundo a partir das lentes nebulosas do PT e seus defensores. Os petistas não se conformam com a perda da hegemonia das ruas e do poder de ditar o que é certo e o que é errado.

Não adianta os sites chapa branca tentarem desmoralizar os líderes que organizaram as manifestações. O petismo também não foi capaz de compreender que ninguém está seguindo cegamente nenhum líder. São ideais que uniram os manifestantes; não líderes messiânicos.

Os jornalistas começaram a compreender quem, de fato, são os representantes do PT.

A imprensa é feita por jornalistas e não pelos donos dos jornais. Os petistas subestimam e desprezam a capacidade, a honestidade e a independência de seus colegas que trabalham em veículos realmente independentes que criticam o governo, quando as mesmas se fazem necessárias. Taxam-nos de mídia golpista e se esquecem que pessoas sérias, do bem, trabalham naquelas organizações.

É a vez dos pelegos e dos chapas branca começarem a acordar. Seus colegas não estão mais se intimidando diante das bravatas acusatórias. O petismo está perdendo a capacidade de intimidar a parcela de jornalistas que, constrangidos, acabavam se julgando traidores de suas próprias crenças, ao criticar a postura suja e a incompetência do PT no poder.

Começamos a assistir as máscaras petistas caírem de suas faces marcadas pela hipocrisia. É o início do fim da desonestidade intelectual, empacotada por diplomas de doutores que não pensam.

No domingo eu marchei orgulhoso junto com uma multidão pacífica, ordeira, cordial e seguidora da lei. Emocionado, com lágrimas nos olhos durante as diversas vezes em que cantamos o hino nacional, a cada passo que avançava, o pensamento que mais me ocorria era que vagabundo nenhum vai intimidar a sociedade brasileira com a ameaça de colocar um exército de bandidos nas ruas.

Maurício Palma Nogueira,
Engenheiro agrônomo, formado na turma de 1997 da Escola Superior “Luiz de Queiroz”
 
Categoria: POLÍTICA E OPINIÕES TAGs: PT,,manifestações,,15/03
 
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Sábado, 14 de Março de 2015
 
Nem vermelho, nem amarelo!
 
Na véspera da manifestação programada para o dia 15 de março, que levará milhares às ruas contra as diversas trapalhadas propositais e acidentais do governo Dilma Roussef, alguns representantes dos minguados 7% que ainda aprovam o Governo começaram a “denunciar” a falta de espontaneidade da manifestação. Reforçam seu raciocínio listando líderes políticos, religiosos ou empresários que aderiram ao movimento. Essa adesão, segundo eles, é a prova de que a população esteja sendo manipulada. Claro que, convenientemente, esqueceram-se de mencionar “intelectuais”, artistas e atletas aderindo ao movimento.

Gostem ou não, a iniciativa partiu de grupos independentes, organizações virtuais e informais, que surgiram com o único propósito de reunir, denunciar e difundir os fatos que motivam a indignação de muita gente.

A adesão de políticos não tira a legitimidade e nem a espontaneidade do movimento.

Se houvesse manipulação orquestrada por empresas ou grupos de interesse, a manifestação ocorreria no meio da semana. Seria fácil liberar os funcionários para irem às ruas. E seria até mais barato do que contratar manifestações profissionais, assim como a de ontem, dia 13.

No entanto, a manifestação vai ser no domingo. Pergunte para qualquer organizador profissional de manifestações engrossadas por pelegos se é fácil reunir o povaréu alienado em um final de semana.

O panelaço durante o discurso da Dilma foi espontâneo. Mas aí disseram que era coisa da elite; pessoas que só descobriram que havia panelas em suas casas no momento que foram procurar algo para bater a favor de um golpe.

Também disseram que nos bairros mais pobres não houve nenhuma manifestação. Mas aí alguém lembrou que todos, que relataram não ter ocorrido manifestação em bairros mais pobres, moram em bairros de classe média alta pra cima – aquele negócio da esquerda caviar. Portanto, não estavam lá para conferir.

Quando caminhoneiros, trabalhadores, negros e pobres vaiaram, organizaram ou participaram de manifestações contra o PT, de imediato já foram considerados meros fantoches pressionados a se expressar em nome de seus patrões.
Essa turma realmente despreza e subestima a capacidade dos mais pobres, daqueles cujos interesses eles dizem defender.

Mesmo assim, foi o ex-presidente Lula, com um microfone em mãos num congresso do PT, que acabou afirmando que os manifestantes de hoje não participam de nada se não forem pagos para tanto. Na sexta-feira, dia 13/03/2015, cada um custou R$35,00.

Outra coisa, que estupidez é essa de querer pautar o que milhares de cidadãos insatisfeitos devem pedir numa manifestação? Por que se julgam tão iluminados e competentes para decidir que o povo deveria pedir por reforma política e não pelo fim da corrupção, pela punição dos culpados e pela abertura de um processo de impeachment contra a presidente?

O povo que irá às ruas no domingo está descontente com a mentirada que foi usada para ludibriá-lo em outubro. Se os eleitores soubessem o que sabem hoje, a Dilma não iria nem para o segundo turno. Tem dúvida? Contrate uma pesquisa.

As pessoas querem corrigir o rumo descontrolado por onde está indo a política nacional; querem mudar o que está aí. Não se trata de PSDB versus PT; mas sim da cobrança por dignidade. Trata-se do fim do conformismo com as afirmações de que todos os brasileiros são igualmente corruptos, adeptos do jeitinho e dos pequenos golpes.

Dizer que todos são ruins é um pensamento mesquinho, de gente que quer se igualar aos demais nivelando por baixo, padronizando pelos seus valores deturpados. Essa lógica ilógica é o maior mal que ganhou força na sociedade com a chegada do PT ao poder: a relativização da corrupção.

No meu caso, esse é o principal motivo que me levará à manifestação do domingo. Eu não aceito ser medido por essa régua viciada em baixos padrões de caráter.

Com relação ao impeachment, existem duas maneiras de tirar um presidente do poder; pela via democrática e pela não democrática.

Dou graças a Deus que a maioria das pessoas, que desejam dar fim ao mandato da Dilma, estejam indo para as ruas solicitar pelo impeachment, e não pela sua deposição.

Mesmo que uma minoria defenda a intervenção militar, a manifestação é baseada em um dispositivo previsto constitucionalmente para depor um presidente. Portanto, é um movimento muito mais moderado do que o Fora Collor Já! Fora FHC! e Fora tudo que eu não concordo! As manifestações típicas do PT, e outros piores ainda, nunca tomaram esse cuidado de dizer como se daria a retirada de um presidente do poder.

É até irônico que um partido constituído, que devia usar o congresso e não as ruas para atingir seus objetivos, sejam menos cautelosos com relação à democracia do que a população auto organizada para se manifestar. Estes sim, se sentido mal representados no congresso, só tem as ruas para mostrar a sua insatisfação.

Apenas para não passar em branco, se alguns tem direito de marchar pela maconha, pelos black blocs, pela invasão de fazendas, pela invasão de prédios urbanos, pela destruição de Israel, por que raios de motivo outros não poderiam marchar pela volta dos militares? Desde que não firam e não ofendam ninguém, faz parte da liberdade de expressão. Ou não?

Voltando aos manifestantes, essas pessoas se mobilizaram pela indignação com tudo que está aí. Não estão em busca da reparação de nenhuma injustiça particular ou alguma vantagem classista.

Estão indo às ruas porque querem dar um basta. E isso tem significado literal: trata-se de um basta!!!

Esse basta é necessário, pois a falta de bom senso e de comprometimento com a verdade parece não conhecer limites.

A declaração da presidente da república no último dia 8 de março é uma ofensa para qualquer pessoa minimamente informada. O mesmo pode ser dito sobre a declaração posterior, no meio da semana, quando afirmou que esgotaram-se os recursos destinados ao combate de uma crise que teria começado em 2009. Negar o quão ultrajante são essas falas é depor contra o próprio intelecto. É fingir que não escutou a própria presidente candidata, seu ex-ministro da fazenda e o seu guru discursando as maravilhas do país que vivemos, sem crise, cada vez mais rico.

Em 2014, aqueles que apontavam o risco da economia piorar a ponto de atingir indicadores até melhores do que os que se confirmam agora, eram apontados como pessimistas, predecessores de um golpe. Até pediram a cabeça de um profissional, simplesmente por alertar acertadamente os seus clientes rem relação aos diversos riscos de curto prazo. Pediram desculpas ao profissional em questão?

Para governos incompetentes, incapazes de assumirem os próprios erros, a culpa sempre é de alguém tentando dar um golpe. Chega a ser ridiculamente caricato.

Esse pessoal pode desistir de tentar intimidar os manifestantes do dia 15/03.

Não adianta dizer que pedir por impeachment seja golpe; as pessoas sabem que não é!

Não adianta empurrar para essas pessoas a culpa pelo ódio; eles são conscientes que foi Marilena Chauí, aplaudida pelos papagaios seguidores, que falou em ódio.

Não adianta acusá-los de semearem a segregação entre classes sociais no Brasil; estamos todos conscientes que essa foi a base da campanha petista para, mentirosamente, papar outra eleição desmerecida, uma que nunca seria ganha com um debate honesto, em torno da verdade.

Não adianta falar em terceiro turno; apenas idiotas e interessados acreditam nessa falácia orquestrada para desviar o foco da corrupção e da incompetência, que impactam estatais e a economia em geral.

Não adianta falar em violência e em guerra; foram Lula, Stédile e Maduro que falaram em exércitos na rua, américa latina unida contra a elite de merda e invasão para proteger o governo da Dilma Roussef, sob suspeita de diversos desvios.

Não adianta tentá-los convencer de que estão destruindo a Petrobrás; eles sabem que a estão tentando salvá-la da quadrilha que tomou conta da empresa.

Não adianta usar o método manjado de se capitalizar com uma crítica, fazendo-a parecer apoio. Todos sabem que a tentativa de pautar a manifestação em prol de reforma política é só outra vigarice do PT e do Governo, tentando desviar o foco e usando o movimento para imprimir uma agenda ainda mais nefasta para o país.

Não esperem que o insatisfeito, vítima do estelionato eleitoral, saia pedindo por reforma política. Não esperem que o eleitor de oposição, vítima de um repertório de ofensas generalizadas em todas as redes sociais, saia às ruas pedindo por reforma política.

Não adianta buscar razões para se enganar! Quem vai às ruas no dia 15 são os verdadeiros defensores da democracia, que desejam e que estão dispostos a lutar pela qualidade de vida de todos os brasileiros.

A reforma política no Brasil é sim necessária, mas não a da agenda do PT. É através de uma agenda que previna o risco de que as gerações futuras repitam os erros que já foram cometidos repetidas vezes no Brasil. Há necessidade que se reduza o poder político, o tamanho do estado - pesado e ineficiente - e que inverta a atual relação entre político e sociedade. É o político que tem que trabalhar pela sociedade, não o contrário.

A reforma política acontecerá em consequência de tudo contra o qual a população se levanta. Será a partir do bom senso e da vigilância dos formadores de opinião, da imprensa e lideranças que precisarão cobrar para que as reformas aconteçam através dos caminhos estabelecidos pela democracia. Não serão milhares de manifestantes indignados que definirão a reforma política.

Não devemos cair na conversa de corruptos incompetentes acuados. Pedir pelo impeachment não é exigir a saída de um presidente; isso seria pedir a sua deposição.

Pelo simples significado da palavra, quem pede por impeachment está pedindo para que se abra um processo questionando a presidente através do Congresso. Nesse processo, o envolvido será investigado e julgado, de acordo com as leis. Caso seja condenado, será retirado da presidência.

Ou os petistas do alto escalão, posando de senhores da razão e da democracia, vão assumir que aplicaram um golpe em Collor?

Eu concordo que o impeachment é pior para o país. Por mais que eu leve algumas pedradas por aqui, por diversas razões eu até gostaria que não acontecesse.

No entanto, o impeachment é o desfecho previsto em nossa constituição para remover um presidente que saiu da linha. E, ao que tudo indica, a nossa presidente fez o suficiente para, no mínimo, sofrer o processo. Não há mais como negar a seriedade das acusações e os indícios para que se faça cumprir o que está previsto na constituição.

Questionar a conveniência de se iniciar o processo nos leva a um dilema filosófico. Falando grosseiramente como leigo, imagino que exista uma constituição, assim como existem as leis, para que as decisões sejam orientadas com base em regras preestabelecidas, que foram acordadas pela sociedade.

Diante de um evento cujo desfecho esteja previsto em lei, eu não consigo aceitar que seja plausível a sociedade decidir se aplica ou não a lei, de acordo com a conveniência do momento.

Portanto é totalmente refutável o argumento de que seria pior, com o vice presidente Michel Temer do que com a Dilma, para contestar a abertura de um processo de impeachment.

É também inaceitável a tese de que seja melhor deixá-la enfraquecer no poder do que aplicar a lei. A quem interessa essa situação, senão ao partido de oposição mais forte para chegar à presidência em 2018? Qual a razão para tanto receio em falar sobre o impeachment, como se fosse uma palavra proibida? O PSDB erra em julgar que os quase 50% de votos válidos da última eleição representam um patrimônio imobilizado. Se não atenderem às perspectivas dos eleitores que se opuseram à reeleição do PT, enfraquecerão como partido. É uma questão de tempo.

Na minha ignorância jurídica, só o estelionato eleitoral já deveria ser motivo para abertura do processo. As provas seriam simplesmente o que foi dito, antes das eleições, comparado às ações e aos acontecimentos logo depois. Sorte para os indignos que não são pessoas como eu que definem as regras.

Mas, voltando às leis, diante de todas as circunstâncias, e considerando a enorme probabilidade de culpa da presidente, iremos alterar as regras previstas na constituição simplesmente por conveniência? De que vale todo o esforço pela democracia, pela constituição e pelas instituições se engavetaremos as leis quando nos for conveniente? Alguém se lembra de um general presidente dizendo que, em determinados momentos, ele decidia guardar a constituição na gaveta? Que recado daremos aos políticos e às futuras gerações se nos omitirmos de pressionar pelo cumprimento da lei por temermos o pior? Não seria covardia?

Nos momentos em que decisões duras se fazem necessárias, é fundamental mantermos a capacidade de seguir as nossas convicções com firmeza. Em outras palavras, é melhor não amarelar.

Maurício Palma Nogueira, é engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", USP.
 
Categoria: POLÍTICA E OPINIÕES TAGs: manifestações,,15,de,março,,impeachment
 
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Quarta, 29 de Outubro de 2014
 
O povo nordestino não tem culpa; é a maior vítima!
 
Muitos atribuem o resultado das eleições ao nordeste. Embora seja incontestável a maior presença de eleitores de Dilma Roussef na região, não foi o nordeste que decidiu. Um dos sócios aqui de nossa empresa lembrou que Bahia e Pernambuco deram a Dilma Roussef 8 milhões de votos, enquanto em São Paulo ela faturou 8,5 milhões de votos, mesmo ficando bem atrás de Aécio Neves.

Quem elegeu a presidente do Brasil foi a sociedade brasileira, e não determinada região. Muitos estão criticando os nordestinos, como culpados de outros quatro anos em direção ao retrocesso.

Especialmente no Facebook, twitter e no WhatsApp, circulam imagens bem humoradas, sugerindo um muro separando regiões do país e a construção de um lago no Estado de Minas Gerais. Essas atitudes são típicas de brasileiros e são apenas gozações, nada sério.

Recebi essas mensagens de vários nordestinos ou de pessoas que tem raízes e família ainda residindo no nordeste. É claro que é piada.

Mas cuidado!!! Os petistas, como sempre, usarão tudo isso como argumento a favor deles. Se tem uma coisa em que essa gente é boa para valer é em sequestrar proezas alheias e atribuir aos adversários as suas próprias falhas de caráter. É com esse tipo de gente que se está lidando.

Lula, o PT e a massa diplomada de manobra passaram meses jogando brasileiros contra brasileiros.

Essas brincadeiras, ou opiniões mais descuidadas, são combustíveis para que a irresponsabilidade em difundir o ódio durante a campanha seja colocada nas costas dos adversários.

Já vi vários posts de petistas se dizendo vítimas de difamação pela sua escolha e falando que os eleitores do Aécio Neves difundiram o ódio e jogaram brasileiros contra brasileiros. Foi exatamente isso que o PT fez durante meses, com Eduardo Campos, Marina Silva, Aécio Neves e seus respectivos eleitores.

Não caiam nessa armadilha!! Essa conta é do PT; e temos que fazer força para não deixar a sociedade esquecer do mal que causaram em nome do poder.

O nordestino escolheu o candidato de forma democrática, acreditando votar na opção que seria melhor. A forma que o convenceram de que era a melhor opção não é culpa do nordestino. É culpa de um sistema eleitoral que não limita o estelionato, a mentira, a chantagem. O nordestino é a grande vítima.

Olha que ironia.

Esse ano os paulistas reclamam que falta água, o que os obriga a economizar e a ficar algumas horas ou dias (em alguns bairros) sem água. No interior do nordeste isso acontece todo ano. Em anos piores, como os últimos dois anos, eles perdem patrimônio. A estimativa de mortalidade do rebanho durante a seca entre 2011 e 2013 é de 16% do total em todo o nordeste.

Um prejuízo médio de R$ 5,2 bilhões em valores atuais, considerando um animal com peso médio de 300 kg. Esse prejuízo atingiu diretamente o pequeno produtor, que já sobrevive com enormes dificuldades e limitações para conseguir manter ou aumentar um pequeno rebanho que recebeu de herança.

Pelas estatísticas locais, consultadas para estimar essa mortalidade do rebanho, fala-se em perda de 40% do rebanho em algumas regiões e 80% nas regiões mais afetadas. Grande parte destes produtores e do rebanho poderiam ter sido preservados com as obras de transposição do São Francisco, paradas, atrasadas e com denúncias de superfaturamento.

Um produtor que perde essa proporção de gado (mais de 40%) dificilmente irá recuperar o patrimônio ao longo de sua vida. E a dificuldade vai aumentar.

Do outro lado, no setor canavieiro do nordeste, muitas indústrias estão reduzindo a moagem de cana, ou fechando as portas, pela desastrosa política de controle da inflação através do preço da gasolina e do diesel. A mesma política que, junto com a corrupção, está afundando a Petrobrás. Aliás, já há estimativas de que a empresa não se levante, o que tornará imprescindível, num futuro próximo, repassá-la ao setor privado. Mas isso é outro assunto.

Voltando ao raciocínio. Usinas fechando provocam desemprego no campo e nas cidades e levam o produtor a substituir a cana por pecuária. Aquele pequeno produtor que perdeu seu gado pela seca vai ter que competir com os médios e grandes produtores querendo formar rebanho para substituir a cana. Resultado disso? Inflação no preço dos animais e dificuldade de reconstrução de suas atividades.

Desempregos e pequenos produtores que não conseguem se reerguer: mais gente precisando de ajuda do governo.

Essa é a grande ironia que a sociedade tem dificuldade de entender. O governo que diz fazer tudo pelo social está, na verdade, transformando batalhadores independentes em pessoas dependentes de ajuda. É catastrófico para quem passa por esse processo. E é terrivelmente péssimo para o Brasil. É um desmonte do setor produtivo, da força de trabalho e da habilidade humana.

O final desse processo é trágico. Infelizmente pessoas carregadas de ideologia, e de uma fé cega em políticos que já se provaram inconfiáveis, continuam se negando a raciocinar sobre o contexto todo.

Com exceção dos inúmeros casos de diversos tipos de fraude na distribuição de bolsas, o beneficiário do Bolsa Família não é nem de longe um vagabundo. Ele é vítima da falta de oportunidades e da falta de uma política de inclusão no mercado de trabalho. Ele é vítima da incompetência ideologizada do atual Governo. Na verdade, isso começou com o Lula, doze anos atrás. Infelizmente mesmo a oposição parece disposta a preservar a imagem de um dos piores governantes que já tivemos: um populista irresponsável sequestrador de proezas.

A propósito, chequem o número de beneficiários do Bolsa Família com os dados de desemprego apresentados pelo Governo de Dilma Roussef. A contradição escandalosa também evidencia o excesso de fraudes com recursos públicos. Aí sim, no caso das fraudes, o objetivo do Bolsa Família é eleitoreiro. E o Governo não hesitou em acionar. É preciso separar o joio do trigo e garantir que os recursos atendam quem realmente precisa. E é preciso estabelecer políticas que permitam aos necessitados sair dessa situação.

Reforço o meu pedido aos que tenho contato que parem de falar, brincando ou não, contra o nordeste. Essa divisão do país é mérito exclusivo de um partido irresponsável, que faz de tudo para manter-se no poder.

Forcemos para que o Governo de fato leve investimento ao nordeste e melhore verdadeiramente a qualidade de vida de quem mora naquela região. A vitimização do nordestino é a maior bandeira eleitoreira do PT. Portanto, a quem interessa?

Aos brasileiros de bom senso só interessa uma coisa para o nordeste: desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida. O nordestino é vítima.

Os culpados pela situação são a massa de manobra diplomada. É o sujeito que teve condições de frequentar uma faculdade e mesmo assim preferiu empunhar a bandeira irresponsável levantada pelo PT.

É aquele que cometeu a enorme desonra de negar os avanços no controle da inflação; é aquele que difundiu o ódio, jogando uma suposta elite contra os mais pobres; é aquele que de forma irresponsável apoia incondicionalmente um partido, mesmo diante de tantas fraudes. O culpado é o que se nega a compreender que um país tem a obrigação de melhorar. E a comparação de alguns indicadores com a situação de 20 anos atrás é, no mínimo, uma atitude vigarista.

Posso passar o dia enumerando barbaridades que li durante o período eleitoral. Mais deixo-as para a consciência daqueles que empunharam essa bandeira; se é que ainda tenham consciência. E esse sujeito mora em São Paulo, na capital ou no interior.

A escolha de um candidato por opção é legítima, faz parte da democracia. A difusão de mentiras e a semeadura de conflitos é estelionato aliado à uma pesada carga de irresponsabilidade. Tem tudo para afundar o país.


Maurício Palma Nogueira, é engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", USP.
 
Categoria: POLÍTICA E OPINIÕES TAGs: Nordeste,,política,,Bolsa,Família,,Seca,,Eleições,2014
 
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Segunda, 27 de Outubro de 2014
 
Prevaleceu o pior!!
 
Enganou-se William Bonner ao dizer que o resultado das eleições, que deu a vitória à Dilma Roussef, foi uma vitória democrática. Não foi!! A democracia foi maculada pela maior demonstração de estelionato eleitoral já visto.

Foi uma campanha de ódio, difamatória, pessoal. Atingiram Aécio Neves com toda a raiva contida nas pessoas da Dilma, do Lula e da cúpula de um partido que desconhece limites para se manter no poder.

Usaram da chantagem, da intimidação, do abuso da máquina pública e todas as formas possíveis e desonrosas para vencer. Forçaram funcionários públicos a votar usando das práticas mais vergonhosas, que marcaram as eleições do início do século XX. Chantagearam beneficiários do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida; aqueles que supostamente seriam os mais beneficiados com o PT no poder. Foram covardemente chantageados. Essa é política que venceu ontem e que continua por mais quatro anos.

Atingiram também os eleitores de Aécio Neves. Desrespeitaram a legítima opção eleitoral da forma mais infame e inescrupulosa possível. Eu cansei se ser ofendido por petistas agarrados no ódio disseminado por Lula e sua turma.

É mentira que a campanha do PSDB fez o mesmo. Manteve as críticas aos escândalos confirmados (e não a boatos), à incompetência, às mentiras espalhadas pelos petistas.

O ex presidente Fernando Henrique Cardoso participou sim da campanha. Mas o fez com galhardia, com a elegância que se espera de um ex governante. Não proferiu ataques pessoais, não conclamou o ódio, não foi chulo. Manteve suas críticas aos fatos e às falas de quem estava proferindo besteiras a todo o tempo.

Diferente do outro ex-presidente, gritando feito um louco em palanques, proferindo palavras de ódio, irresponsavelmente jogando brasileiros contra brasileiros.

Aécio Neves e o PSDB fizeram julgamento de fatos; o PT fez julgamento de caráter, e o fez de forma leviana, baseado em mentiras, falácias, meias verdades e calúnias.

Foi isso que o Brasil ganhou ontem. Mais uma vitória da desonra.

Engana-se quem acha que o social venceu. Ignora princípios simples de economia e desconsidera que nenhum programa social será suficiente para compensar uma inflação caminhando para os dois dígitos, com o país estagnado.

Além de acreditar na mentira que o Aécio cortaria programas sociais, analisaram a economia sob o olhar míope de quem desconhece o mínimo de matemática.

Engana-se quem acredita que votou contra privatizações. A privatização que vem sendo feita pelo PT é a pior de todas. É a divisão do Estado entre a “companheirada”. O lucro é privado; os custos continuam sendo da sociedade. Nada já ocorrido no Brasil se compara à arquitetura de corrupção montada pelo PT no Governo. A população preferiu acreditar que é a mídia golpista que insiste em dizer isso. Esqueceram-se que a revista Veja foi atacada por publicar as declarações de um doleiro do esquema de corrupção, amparado pelo acordo de delação premiada.

A revista não inventou os fatos; publicou o que foi dito pelo doleiro. Aposto que não será difícil ver gente moderninha, intelectualizada a defender o ataque à revista Veja.

Com isso tudo, na noite de ontem, foi confirmada a reeleição da pior presidente que já ocupou o cargo. E só foi reeleita porque acionaram uma máquina de mentiras, difamações, intimidações e difusão do ódio. Foi reeleita pelo medo, pelo preconceito que possibilitou a sucesso da mentira e pela letargia de quem ignora conceitos básicos de economia.

É uma pena; sofrerão os mais pobres. E continuaremos nossa viagem rumo à Caracas com escala em Buenos Aires.


Maurício Palma Nogueira, é engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", USP.
 
Categoria: POLÍTICA E OPINIÕES TAGs: Eleições,,política,,PT,,Dilma,Roussef
 
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